quarta-feira, 13 de abril de 2016

Podes t-u-d-o


    O círculo ao qual tu tentas fugir todos os dias, porque não gostas de corresponder à norma, está a fechar-se e tu não estás a conseguir sair, porque perdeste a força nas voltas que deste. Queres mesmo ficar aí? Não me parece. Corre, salta, fura os espaços e anda para este lado. Há muita gente que nunca sai daí, é verdade, mas porque é que não poderás tu sair? Muita gente gosta de Senhor dos Anéis e tu não, tu não és muita gente, tu não és toda a gente. És tu e eu prefiro que saías desse círculo porque queres sair e não porque és levada por alguma corrente. Se agora não tens força, senta-te aí um bocadinho e observa o quão parado está tudo à volta. Aproveita para te certificares de que não é isso que queres para ti e, quando as lágrimas secarem, quando a frustração acabar, quando a desilusão diminuir, levanta-te. Sai daí, vai em frente. Não penses que já devias ter saído, que já devias ter ido só porque quem está à tua volta to diz. Diz-me uma coisa, eles estão a sentir o que tu estás a sentir? Pois, então faz o que te der na real gana. Hoje apetece-te ficar aí? Apetece-te chorar? Faz isso. Qual é o problema com o mundo? Tu é que sabes o que te apetece hoje. Sabes, eu não tenho problemas com isso, porque acredito em ti e no quanto te podes mover. Hoje estás aí, amanhã estás do lado de cá de roda no ar.

                                                                                     O que vês quando estás em frente ao espelho?
















quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Micas, vais ou ficas?

quando eu entrava na casa da avó tuxa, já sabia que ia encontrar-te sentada no cadeirão vermelho ou deitada na cama. só tinhas um dente, mas davas-me sempre o teu melhor sorriso, aquele tipo de sorriso que contagia, que é puro e que nem o coração mais frio consegue ficar indiferente. às vezes falavas e eu não ouvia, porque tu falavas tão baixinho que eu acabava por me perder nos meus pensamentos. agora pode estar uma barulheira enorme ou um silêncio profundo que nos meus pensamentos apareces sempre tu. és tu que pairas neles.
este natal não senti natal nenhum. senti uma saudade arrebatadora de te ver comer bacalhau com satisfação e de te ver sorrir quando te diziam "nem falas, Micas".
amo-te tanto que trocava todas as gomas do mundo para estar contigo só mais uma vez e dizer que te amo sem fim.
não sabia que perder alguém doía assim tanto, não me conformo com a morte e não me conformo com quem te levou. não me conformo com nada que envolva a ideia de eu estar aqui e tu aí, e o pior de tudo é que eu não sei onde é que esse "aí" é. não sei onde estás a morar aí, mas sei que aqui moras em mim. amo-te tanto.

e como não me conformo com nada, escrevo como quero.


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Remendos

      Depois da nossa conversa fiquei a pensar na distinta lata que tive em pedir-te para rasgares a tua camisa (que é bem bonita) para eu pôr como remendo nas minhas calças rasgadas. Fui para casa a pensar nisso, e a sorrir, pois cheguei a uma conclusão: és um remendo na minha vida. Não me interpretes erradamente, eu faço questão de explicar.
      À medida que o tempo vai passando, existem pessoas que vão entrando e outras que vão saindo. As que saem, é porque assim tem que ser, deixam um espaço para um remendo; as que entram vêm ocupar o lugar deixado pelas outras. E, da mesma forma que eu quero um remendo bonito para as minhas calças, também quero um remendo bonito a ocupar um pedacinho que me falta, e tu és, não só bela exteriormente como também interiormente.
     Penso que selecciono bem os remendos que escolho, pelo menos transmitem-me confiança ao não se descoserem com facilidade. É provável que um dia isso venha a acontecer, a linha acaba por ceder com as passagens pela máquina do tempo pois nenhuma junção fica imune a isso; e quando esse dia chegar, com carinho e dedicação eu hei-de cosê-lo novamente nem que, por isso, me magoe.
      Claro que, eu, como todas as outras pessoas, tenho falhas e posso, por vezes, forçar a linha mas sei que tu  és um remendo, em mim e na minha vida, por gosto, e sei que vais manter-te firme enquanto puderes.


Adoro-te C.