este natal não senti natal nenhum. senti uma saudade arrebatadora de te ver comer bacalhau com satisfação e de te ver sorrir quando te diziam "nem falas, Micas".
amo-te tanto que trocava todas as gomas do mundo para estar contigo só mais uma vez e dizer que te amo sem fim.
não sabia que perder alguém doía assim tanto, não me conformo com a morte e não me conformo com quem te levou. não me conformo com nada que envolva a ideia de eu estar aqui e tu aí, e o pior de tudo é que eu não sei onde é que esse "aí" é. não sei onde estás a morar aí, mas sei que aqui moras em mim. amo-te tanto.
e como não me conformo com nada, escrevo como quero.
Por todas as gomas do mundo, ninguém, ninguém mesmo devia ter o direito de levar as avós para longe. Nem as avós, nem os pais, nem os filhos, nem os amigos. Ou então se levassem, deviam deixar morada para a gente mandar uma carta e postais de natal pintados com os dedos. Não sei como é a dor de perder alguém, feliz e estranhamente nunca passei por situação semelhante, mas às vezes fecho os olhos e imagino como será a dor de sentir que alguém nos leva quem nos é próximo e só de imaginar de olhos fechados fico com o coração apertadinho e lágrimas nos olhos. Deve ser impossível contar a dor - mesmo com gomas - de abrir os olhos e não estar só a imaginar. Mas depois eu penso que nesse momento de abrir e fechar os olhos as coisas estão no mesmo lugar, sabes? A noite pode virar dia, mas as estrelas continuam lá....e as avós não desaparecem. Podem não estar à vista, como as estrelas, mas elas continuam lá, da janela da sua nova casa que eu imagino que até tenha um cadeirão mais confortável, e gatinhos, porque todas as avós gostam de gatinhos, a olhar pelos que ficam cá à espera de um dia receberem finalmente a morada dos que foram à frente.
ResponderEliminarAposto que onde quer que esteja, tem muito orgulho da mulher bonita - por fora e por dentro - que te estás a tornar.
Quanto mais o tempo passa, mais extraordinária te acho. Obrigada pelas palavras! <3
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